Introdução - IV

História Megalara, II, 1

No período aparentemente denominado de Alto Estertor, os Megalara quase chegaram à extinção. Seu padrão de vida solitário e individualista tornava-os presas fáceis para outros insetos socialmente organizados ou maiores. Os aracnídeos – aparentemente os principais inimigos dos Megalara por conta de seu “papel” em seu ciclo reprodutor – tradicionalmente empregavam outras espécies em campanhas de extermínio de Megalaras.

Premidos pela necessidade, os últimos Megalara flexibilizaram seu comportamento individualista e fundaram sua primeira colméia subterrânea. Os machos, atuando em pares, responsabilizaram-se pela defesa militar do perímetro da colméia – forma de organização mantida ainda hoje em suas hordas escravagistas.

As fêmeas, entretanto, dedicaram-se a uma espécie de “competição” altamente ritualizada. Enquanto eram protegidas pelos machos, dedicaram-se a depositar a maior quantidade de ovos possíveis, enquanto devoravam os ovos de suas rivais no limite de sua capacidade alimentar. Quando as primeiras ninhadas nasceram, aquela que teve a maior quantidade de filhotes foi proclamada a primeira Rainha dos Megalara, enquanto as demais se resignaram a se “transformar” em operárias da colméia. Seus filhotes foram… descartados.

É difícil entender com exatidão, mas os machos originais aparentemente também se tornaram “filhos” da primeira Rainha. A partir dessa lógica original o padrão societal dos Megalara foi lentamente se ajustando e transformando. Os filhotes, tanto machos quanto fêmeas, da Rainha, constituem as castas mais altas de Megalara Ranat, sendo que as fêmeas são tradicionalmente tratadas como “princesas”.

Apenas a Rainha e as princesas podem se reproduzir, e, ainda assim, com machos descendentes da Rainha. As princesas dependem de autorização da Rainha para tanto, e sua prole faz parte das castas sociais inferiores. Apesar de tais costumes, o comportamento sexual dos Megalara é bastante liberal – apenas a reprodução em si é altamente regulada. Mesmo os membros dos estratos mais baixos, contudo, mantém intensas e flexíveis relações de natureza sexual.

Os influxos individualistas dos Megalara originais não desapareceu por completo na espécie, a despeito de sua socialização. Existe mobilidade social entre as castas, de modo que um Megalara particularmente bem sucedido pode galgar postos sociais mais altos. As vespas parecem ter um tipo de crença em renascimento – estranhamente controlado pela Rainha – de modo que um Megalara que tenha ascendido pode eventualmente ser “re-nascido” como filhote real. Talvez tal crença tenha alguma relação com sua mente coletiva e a linguagem que funciona em seu interior. Filhote, contudo, não é um termo adequado, já que após seu estado larval parasitário, a vespa torna-se de imediato adulta.

Quando uma Rainha morre, ela é substituída por uma das princesas, e boa parte de sua prole é ritualmente sacrificada, provavelmente para evitar entraves políticos mais graves. Teorizo que tais episódios são particularmente traumáticos para os Megalara, que evitam até mesmo pensar sobre ele.

Hoje, não existem mais Megalara propriamente operárias. Os serviços e trabalhos mais pesados são todos exercidos por escravos de infinitas outras raças, inclusive insectóides. Mesmo os mais inferiores tendem a ser responsáveis ou por vastas equipes de escravos ou por operações ligadas a tecnologia ou cultura, tais como projetos arquitetônicos ou militares.

Dessa forma, a estrutura hierárquica da sociedade Megalara se organiza em torno de um ramo feminino, ligado em geral a atividades mais sociais e políticas, e um ramo masculino, ligado em geral a atividades militares. Ainda assim, ambos os ramos se interpenetram na organização hierárquica. Esta não é uma lista definitiva, claro, mas eu os classificaria da seguinte forma, de baixo para cima:

- Escravos braçais de outras raças
- Escravos de outras raças dedicados a atividades específicas de natureza cultural ou tecnológica
- Fêmeas guerreiras: o mais baixo estrato entre os Megalara, cuja “produção” é ordenada pela Rainha a partir de princesas menos relevantes politicamente
- Machos guerreiros: filhos de princesas, o grosso das hordas Megalara
- Fêmeas “burocratas”: filhas de princesas, coordenadoras de escravos e de atividades sócio-políticas
- Machos “nobres”: filhos da Rainha, a elite militar Megalara
- Princesas: a elite política Megalara
- Rainha: a Rainha.

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