Introdução - III

Megalara Ranat, II

Na estranha linguagem telepática utilizada por estas vespas, Megalara Ranat é o nome aparentemente dado ao seu planeta natal. Digo aparentemente porque não é raro eles se referirem à toda sua espécie, ou comunidade, ou ainda ao conjunto de planetas que acredito que controlam, como Megalara Ranat. Tenho a hipótese que talvez Megalara Ranat seja um termo de múltiplos significados, cuja melhor tradução talvez fosse a “colméia infinita” ou “as vespas em todos os lugares”. Difícil dizer, porque a linguagem deles não é bem uma linguagem, afinal…

Megalara Ranat é um planeta de diâmetro equatorial de aproximadamente 5.000 km. Poderia ser comparado a um de nossos planetas tecno-reformados, já que todo ele é ocupado ininterruptamente pela gigantesca colméia metálico-cibernética que parece funcionar como “capital” dos Megalara. Por conta de tais características, não tenho informações o suficiente para detalhar quais teriam sido as qualidades do planeta anteriores à sua completa conversão.

Os Megalara são uma raça de vespas humanóides, dotadas de órgãos carbônicos e cibernéticos. Talvez eles sejam fruto de experiências tecnológicas de alguma raça avançada extinta, porque pelo que pude compreender tanto as características orgânicas quanto as cibernéticas são a princípio fruto de seu processo reprodutivo normal. Ainda que lidem com implantes cibernéticos mais próximos dos nossos, diversos deles nascem já com circuitos e constructos artificiais internos. Registro, com um certo espanto, que o nível tecnológico da espécie, apesar de em boa parte das vezes incompreensível para mim, é superior à de raças tradicionalmente admiradas por seus avanços, como os Orteros ou os Kalíndios. A Sacra União certamente teria o que aprender com eles.

Ao que tudo indica, os Megalara não eram a única raça insetóide original de Megalara Ranat, o que reforça a tese de que o planeta pode ter sido fruto de experiências meta-genéticas de outra raça. Com exceção de determinados registros, contudo, não encontrei nenhum sinal de qualquer outra espécie nativa na colméia. Não faltam, porém, escravos importados de outros mundos…

Os Megalara possuem uma espécie de mente coletiva, ligada a existência mesmo de sua colméia, por meio da qual se comunicam e acessam memórias raciais. Acredito que a habilidade de acesso à mente coletiva varia de indivíduo para indivíduo, sendo mais intensa e mais “livre” nas castas superiores. Todas as vespas possuem asas e órgãos de propulsão que permitem-nas voar até mesmo no vácuo, de modo que, quando suas naves aportam em hangares externos à colméia, tendem a ser acompanhadas por centenas de vespas ao redor.

Não posso negar que são criaturas belas e assustadoras. Sua coloração varia intensamente, passando desde aquelas absolutamente negras à exemplares multicoloridos, ora opacos, ora metálicos. Não pude concluir ainda se a coloração tem alguma relação com a posição social de cada vespa ou não.

Minhas primeiras observações, ademais, ainda não me permitiram tirar nenhuma conclusão acerca da cultura ou dos costumes políticos dos Megalara.

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